Diário de um endividado – e agora José? 2

 

- Boa tarde seu Farmácio Silva!

- Boa nada! Tô falindo!

- Diz isso não!

- Isidoro, eu devo a Deus e ao mundo, e não tenho dinheiro, a melhor coisa a fazer é pedir falência.

- Espero que eu esteja nessa conta de dívidas aí!

- Você é café pequeno, mas vai ficar sem receber também.

- O quê? Ta maluco? Perdeu noção de juízo?

- Que é isso Isidoro? Vai fazer o que? Processar-me? Devo, não nego e não pago!

- Seu Farmácio, eu devo ao agiota mais perigoso da região, por que o senhor não me pagou. Minha mulher quer resolver a questão com o pai dela, e aí tô ferrado! E o senhor quer que eu fique calmo? (aos berros)

- E eu com isso?

- O quê?

- Nem quero conversa, estou caindo fora.

- Não vai não! Quero meu dinheiro aqui! Se eu me ferro o senhor se ferra também!

 

 

(como utilizo esse espaço gratuitamente e tendo estrapolado o limite de caracteres, a confusão continua em baixo.)

Escrito por João Áquila às 19h04
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Diário de um endividado – e agora José? 2 - continuação

- Hahahahahahahahaha! Quem vai me impedir? Você?

 

Poooooow! (traduzindo: Soco na cara de Farmácio)

 

- tem certeza que não posso impedir?

 

Isidoro começa a rodar a baiana. Quebra tudo que vê pela frente.

 

- Larga de ser besta Isidoro! Eu vou saindo. Ah! A polícia ta vindo aí, eles querem me prender. Eu se fosse você sairia daqui!

- Você não vai!

 

Isidoro agarra Farmácio. E a polícia chega!

Tiros são ouvidos.

 

- Polícia! Parem vocês dois aí! Mãos pra cima! Quem é Farmácio Silva das Dores?

- Sôo eu....

- Você está preso, por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e desordem pública! E você aí quem é?

- Isiisisisisisisidoro.

- Ta preso também, desordem pública, Vamos!

 

 

(Amanhã Isidoro tenta convencer o delegado.)

 

Escrito por João Áquila às 19h01
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Diário de um endividado – E agora José?

- Como vou pagar isso meu Deus?

- Isidoro?

- Oi?

- Pagar o quê?

- Oxente mulher! Esqueceu que faz quatro meses que não recebo? Você acha que essas compras foram pagas?

- Mas homem, eu não te disse que pegava emprestado com painho?

- Painho? Ta maluca? Eu não vou me humilhar diante de seu pai!

- Que é isso “Doro”?

- É isso mesmo! Prefiro ameaçar Mercadino e enrolar Mercadina até que o patrão me pague do que pedir dinheiro a seu pai!

- O que? Ameaçar, enrolar, não estou entendo?

- Meu prazo pra pagar o empréstimo que eu fiz com Mercadino venceu ontem. Não tinha dinheiro e ele queria me matar. Para não morrer disse a ele que deixei em sua bolsa uma foto dele vestido de mulher.

- Minha Nossa Senhora dos endividados! Você tá maluco? E se ele vier atrás de mim?

- Pode ficar tranqüila, ele acha que você está na maternidade.

- O que? E cadê a foto?

- Que foto?

- Ai Antonio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado! A foto que você disse estar na minha bolsa?

- Não tem foto Darcília! Eu menti.

- Mentiu? Você não tem juízo não é?

- Você queria o que? Que eu morresse? Nem morto! Até lá dou um jeito.

- Jeito como? Mata ele antes?

- que matar mulher! Vira essa boca pra lá! dou um jeitooooo, oras, dando um jeito ué!

- Ai minha Dolores Fuertes de Cabeça!

- Que santa essa?

- Não é santa Isidoro! Você mente para o agiota mais perigoso da região, põe meu nome no meio, você acha o que? Minha cabeça tá pra explodir!

- Calma!

- Calma o cacete! Como você enrolou dona Mercadina?

- Bom, eu disse a ela que você pariu!

- O queeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

- Cal...

- Calma o que? Você põe-me em risco e ainda suja meu nome! Você quer que eu tenha calma?

- É que...

- É que nada! Vou agora mesmo contar pra meu pai, e vê se ele dá um jeito nisso.

 

(Amanhã o "coro" come)

Escrito por João Áquila às 16h53
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Diário de um endividado – missão: pendurar a conta

- Deu setenta e cinco reais seu Isidoro.

- Pendura dona Mercadina.

- Pendurar o que?

- A conta oxente!

- Você acha que ainda tem conta Isidoro? Você deve mais de trezentos reais, não me paga há quatro meses e ainda acha que pode chegar aqui mandando pendurar? Quero Dindim!

- Mas eu não tenho dinheiro.

- Devolve as compras.

- Que é isso ? Sempre comprei com a senhora...

- Antigamente você pagava. O qué que é? Só por que sempre comprou aqui acha que pode pendurar? Vá te catar Isidoro!

- Mas dona eu só não tô pagando por que não recebi meu salário, quando receber eu te pago.

- Paga nada, quando você receber o salário mal vai dar pra pagar Mercadante. E como sei que ele mata quem não paga, você vai preferir pagá-lo.

- Dona Mercadina eu vou pagar vocês dois, estou controlando bem as contas.

- Isso é conversa de quem deve. Controlando bem as contas! Se tivesse controlando não tava devendo né Isidoro?

- Que é isso! Tô sem dinheiro por que não estão me pagando e tudo que peço é pra pendurar essa conta. Eu já te enrolei alguma vez?

- Já!

- Hã?

- Já tem quatro meses que você promete me pagar, e nada. Devolve as compras.

- Mas dona Mercadina, até filho eu tenho agora, eu só peço mais uns dias pra te pagar.

- Filho? Já nasceu? Vocês não se casaram há seis meses atrás?

- É, é, é que...

- Hã, tô sacando. Vai sua peste! Mas eu quero semana que vem hein!

- Obrigado Mercadina, prometo que te pago o mais rápido possível.

 

 

                                                                 (Amanhã Isidoro faz as contas com a mulher)

Escrito por João Áquila às 16h41
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Diário de um endividado – missão: esticar o prazo de pagamento 2/2

- Seu, seu, seu Mercadante, durante toda minha vida fugi de gente como o senhor, só o procurei porque estava com a corda no pescoço.

- Ta me chamando de bandido? Estava com a corda no pescoço, agora vai ficar com uma bala no crânio se não me dar o dinheiro agora!

- Virge mãe de todos os endividados que não tem como pagar, agora tô lascado!

- Tá lascado mesmo! E não adianta apelar pros santos não. Quero meu dinheiro e quero agora!

- Que, que, que isso seu Mer, Mer, Mercadante! O senhor não quer ficar preso por minha causa quer?

- Ainda tem coragem de me ameaçar!

- Não, de maneira alguma.

- Vou contar até três! Um.

- Seu Mercadante eu faço qualquer coisa...

- Dois.

- Eu juro que pago, só peço um prazo.

- Três.

- Mostro pra todo mundo aquela foto do senhor vestido de mulher!

- O quê? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Vai mostrar como se você vai estar morto?

- Quando eu saí deixei em casa um bilhete pra minha mulher orientando-a como reagir se eu morresse.

- Isso é golpe baixo Isidoro! Você sabe que eu mato você e a vagabunda de sua mulher antes mesmo que ela saiba de sua morte.

- Nesse momento ela está em trabalho de parto, o bilhete e a foto estão na bolsa dela.

- Terás mais dez dias pra pagar seu vagabundo!

- Mui, mui, muito obrigado!

- Muito obrigado à desgraça! Some da minha frente! E quero meu dinheiro daqui a dez dias hein, se não morre!

 

(Confira amanhã, Isidoro tentará convencer dona Mercadina a continuar vendendo fiado)

Escrito por João Áquila às 08h56
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Diário de um endividado – missão: esticar o prazo de pagamento 1/2

- Boa Tarde!

- Bom Tarde Isidoro! Só um minutinho. Já vou pegar sua conta.

- É que...

- É que o que Isidoro?

- Sabe seu Mercadante Silva, há uma semana atrás te prometi pagar aquele empréstimo que tomei com o senhor, bom, eu pensei que receberia meu salário hoje, mas.

- E eu com isso? Quero meu dinheiro hoje! Você me prometeu vir no início da tarde, e só agora cinco e meia você aparece, e sem o dinheiro. Se vira!

- Bom, eu não tenho dinheiro hoje.

- Se vira!

- Se virar como? Há uma semana atrás, a Energipe ameaçava cortar a luz lá de casa, a firma tá me devendo quatro meses de salário, não tinha dinheiro para pagar.

- Ficava sem luz Isidoro.

- Sem luz? Eu até pensei na idéia, mas minha mulher está grávida e fica louca quando não tem luz. Foi aí que procurei o senhor pra pedir empréstimo.

- Santa mãe dos endividados! O cara não recebe há quatro meses, estar com uma mulher grávida em casa e ainda acha de fazer empréstimo! Tu estás me enrolando Isidoro! Quero meu dinheiro agora!

- Seu, seu, seu, seu...

- Seu, seu, seu, seu o que? (aos berros)

- Eu to, to, to, to, to, to, to, to, falan, falan, lando a ver, ver, ver, ver, verdade seu Mercadante.

- Gaguejando desse jeito! Cê acha que me enrola seu vagabundo!

- Que, que, que, que é isso!

- Que é isso nada! Traga minha doze Armando, que vou furar esse enrolado agora de bala!

- Ca, ca, calma seu Mercadante, tenho dois filhos, e uma mulher grávida pra cuidar, eu prometo que volto daqui a cinco dias com o dinheiro.

- E eu com isso? Ou me da à grana que me deve ou vai levar chumbo no rabo!

 

(Continua)

Escrito por João Áquila às 08h53
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Endividados

O

 fim de ano para qualquer pessoa normal é cheia de dívidas. Contas atrasadas, outras a vencer e nenhum custão para pagá-las, além dos cobradores que em um telefonema tira a tranqüilidade de qualquer cidadão que procura por meios legais sanar suas dívidas que tanto lhes tira o sono. É claro que tem aqueles que não estão nem aí e nem vão chegando para os descabelados e irritados fornecedores que contava com aquela grana do décimo terceiro salário alheio.

 

Uma coisa que todo bom endividado sabe é que: uma dívida leva a outra dívida. É como aquele ditado bíblico que diz: “um abismo chama outro abismo”. No afã de se ver livre dos telefonemas tenebrosos das operadoras de débitos, o sujeito contrai outra dívida em condições piores que a primeira.

 

Existem os endividados de primeira viagem, nunca passaram por essa situação em suas vidas, quando de repente, não mais que de repente as contas fogem do controle mensal e...

 

Todo profissional liberal como eu, deveria estar vacinado contra essa praga econômica, que de uma hora para outra bloqueia nossos cartões de créditos, coloca nosso nome na lista negra do SERASA e cria em nós um sentimento depressivo e compulsivo de angústia financeira capaz de enlouquecer o mais ajuizado economista.

 

Em breve: Diário de um endividado. Aguardem!

Escrito por João Áquila às 00h19
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